João Lopes (prof.) > Passagem de Caminho de Ferro — este é um quadro do francês Fernand Léger (1881-1955), datado de 1919: uma outra arte da fragmentação, dos tempos em que a pintura, nomeadamente através do cubismo, discutia todas as formas de figuração — em especial do corpo humano. 31/03/09
Há 90 anos
João Lopes (prof.) > Passagem de Caminho de Ferro — este é um quadro do francês Fernand Léger (1881-1955), datado de 1919: uma outra arte da fragmentação, dos tempos em que a pintura, nomeadamente através do cubismo, discutia todas as formas de figuração — em especial do corpo humano. 30/03/09
Depois dos heróis
João Lopes (prof.) > Esta imagem — na verdade, um jogo de imagens que define uma nova imagem — pertence ao filme Os Fragmentos de Tracey (Canadá, 2008), de Bruce McDonald. Como o título desde logo sugere, a personagem central encontra-se dividida: porque o facto de ter perdido o seu irmão mais novo abriu uma crise que abalou todas as suas coordenadas e também porque o filme encena a sua história como um labirinto de acontecimentos que se vão fragmentando (inclusive dentro da própria imagem).Talvez não pudesse haver forma mais sugestiva de nos fazer sentir que vivemos num tempo que se gerou depois dos heróis clássicos — ou do conceito clássico de herói. Face a Tracey (Ellen Page), e sem que isso nos impeça de a olhar como uma personagem profundamente emocionante, já não sentimos os efeitos clássicos da personagem heróica. Porquê? Porque o herói clássico era aquele que, de uma só vez, se destacava da multidão e fazia valer as marcas da sua singularidade, porventura da sua superioridade. Esta cena de Young Mr. Lincoln (EUA, 1939), de John Ford, pode servir de exemplo modelar da definição dramática do heroísmo: Abraham Lincoln (Henry Fonda) é, literalmente, aquele que sai da multidão para com ela se confrontar — em termos cinematográficos, talvez possamos dizer que, se a multidão ocupava o campo [da imagem], o herói fornece-lhe um contracampo.
23/03/09
CINEMATOGRAFIAS V (programa)
João Lopes (prof.) > O objectivo principal da cadeira é es-tudar alguns dispositivos narrativos que, da concepção da personagem ao envolvimento factual e/ou emocional do espectador, podem ser interpretados como pontes entre o cinema clássico e, genericamente, o cinema moderno. Dessa problemática emerge o conceito fulcral de “efeito de verdade”, conceito que será preciso relativizar, tanto em termos informativos (no interior de cada filme) como históricos (na história mais global do próprio cinema). A cadeira desemboca numa reflexão prospectiva, tão aberta quanto possível, isto é, jogando com exemplos “antigos” e recentes, da dicotomia documentário/ficção — trata-se de tentar avaliar as possíveis evoluções de um contexto em que “cinema” e “televisão” constantemente se cruzam.
1. Personagens e narrativas
- dispositivos clássicos de “heroísmo”
- projecção/identificação, suas leis e rupturas
- o caso Hitchcock: inocência e culpa, transparência e ambivalência
2. Que é o efeito de verdade?
- a verdade como elemento da ficção
- a narrativa como encenação de (alguma) verdade
- documento “versus” artifício
3. O caso Bergman
- a física dos corpos
- o primado dos actores
- a verdade mesmo no onirismo
4. O caso Godard
- a herança da Nova Vaga
- interacção entre meios técnicos e opções narrativas
- estudo de Sauve qui Peut (La Vie) (1980)
5. Actualidade narrativa do documentário
- o regresso histórico da narrativa documental
- cinema “versus” televisão
- escolhas narrativas/escolhas éticas
1. Personagens e narrativas
- dispositivos clássicos de “heroísmo”
- projecção/identificação, suas leis e rupturas
- o caso Hitchcock: inocência e culpa, transparência e ambivalência
2. Que é o efeito de verdade?
- a verdade como elemento da ficção
- a narrativa como encenação de (alguma) verdade
- documento “versus” artifício
3. O caso Bergman
- a física dos corpos
- o primado dos actores
- a verdade mesmo no onirismo
4. O caso Godard
- a herança da Nova Vaga
- interacção entre meios técnicos e opções narrativas
- estudo de Sauve qui Peut (La Vie) (1980)
5. Actualidade narrativa do documentário
- o regresso histórico da narrativa documental
- cinema “versus” televisão
- escolhas narrativas/escolhas éticas
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