06/04/09

Em família

João Lopes (prof.) > Tarnation (EUA, 2003) constitui uma espécie de materialização directa e assombrada de uma noção "utópica" de cinema em que todas as fronteiras vacilam, todas as linguagens se fundem e confundem. Jonathan Caouette [foto], cineasta desde a mais tenra idade — literalmente: ele fotografa-se e filma-se desde criança —, expõe-se através do labirinto imenso das suas imagens e da imaginação que nelas labora.
Ao contrário da lei corrente do espaço televisivo, essa acumulação de materiais não produz nenhuma verdade nítida ou definitiva. Num certo sentido, é o contrário que acontece: Caouette partilha connosco a angústia que, a partir das atribulações da sua história pessoal, se exprime através das suas reportagens & ficções privadas. Depa-ramos, aqui, com o estranho poder dos mate-riais "amadores", desde logo o video, anunciado por Jean-Luc Godard nesse filme emblemático que é Número Dois (França, 1975) — também aí percebíamos que o espaço familiar é o lugar de todas as estranhezas.

02/04/09

Erik Davis (citação)

João Lopes (prof.) > Citação: "Desde o ano zero que os seres humanos têm sido cyborgs. É nossa sina viver em colectividades que inventam instru-mentos para dar forma à sociedade e aos indivíduos que nela vivem. Ao longo de milhares de anos, indivíduos não muito diferentes de nós cons-truíram e manipularam poderosas e impressionantes tecnologias, incluindo tecnologias de informação, e esses instrumentos e técnicas entrelaçaram-se no tecido social do mundo. Apesar de a tecnologia só ter vindo a dominar e a definir a sociedade no decorrer da existência de uma mão cheia de gerações humanas, a equação básica continua a ser verdadeira para qualquer etapa nómada do homo faber: a cultura é tecnocultura."

in TECNOGNOSE, de Erik Davis (Editorial Notícias, Lisboa, 2002)
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> Site de Erik Davis.