23/06/09

La Pyramide Humaine (Avaliação)

Pedro Gonçalo Jesus (nº 558) :No seguimento do Filme "Quero ver" proponho à vossa consideração e visionamento, o filme que Jean Rouch fez em 1959 na Costa do Marfim, de seu nome A Pirâmide Humana e que muito nos pode ajudar nessas coisas esotéricas que são as fronteiras entre a realidade e a ficção. É tarde, o Pedro está cansado por isso prometo ser curto e grosso (este post não tem qualquer raccord com o do Jordão), vulgo, sintético. O filme é responsável pela criação de uma série de palavreado obsceno, coisas como Doco-ficção, Etno-doc, Etno-ficção, etc, etc. Interessado em estudar as relações existentes num liceu local entre costa-marfinenses, franceses e como cada um dos grupo olha e interage com o contrário, Rouch em vez de fazer um documentário propõe aos alunos fazer um filme em que eles são os actores. Portanto propõe-se a registar uma ficção. Eis quando três míseros planos a brincar ao doc, numa espécie de registo de pré-produção, visionamento de rushes e final à la pré-nouvelle vague (ah e esta hein) lançam a confusão!Será este filme um documentário ou Ficção, onde é que o enquadramos ?? Isto ocorre apesar de Jean Rouch dizer para quem o quis ouvir, pasme-se a sinceridade (sim, sinceridade diegética e não no dvd de extras) que aquilo é um filme, cujo princípio estruturante foi a improvisão, o tema a relação entre alunos europeus e africanos num liceu de Abidjan, representado por eles próprios. Portanto, estes problemas conceptuais conseguem ser lançados, ainda que o realizador os explique claramente no próprio filme!!Pronto, e mais não digo que sem verem este não recebem o diploma! Talvez duas notitas más para acabar:

a)um costa-marfinense resolveu os meus problemas existenciais de monogamia ibérico-cristã resquicial, com a seguinte explicação a um dos franceses, do porquê de estar interessado em mais do que uma das raparigas: “o meu coração divide-se em duas aurículas e dois ventrículos, assim há espaço para pelo menos quatro mulheres” não é ipsis verbis, mas é esta a ternurenta ideia de amor da personagem;

b)O filme é de uma beleza extraordinária e em grande parte as questões que se levantam têm a ver com o enorme impacto que o filme tem em nós, as pessoas querem acreditar naquilo que vêm, o que assistiram tem de ser verdade. Nós é que temos de saber um bocadinho mais e perceber que tal desejo não resulta da confusão com a eventual natureza “real”, “documental do filme, mas sim, com o facto de este ter cumprido com louvor, a criação e vivência de uma realidade imaginária.

Beijinhos e Abraços do vosso amigo e vizinho,

Pepito Jesus

PS - Desculpem qualquer coisinha que este foi o meu primeiro post num blogue!Acho que está com 7 tipos diferentes de letra e um bocado torto...




1 comentário:

Anónimo disse...

Pode ser o teu primeiro post, mas quanto a mim, levas já para casa o Prémio Cuetara/Post do Ano Frenzy 2009!