08/06/09

Terminator 4: Onde estão os lazers? (Post escolhido para ser avaliado)


Gonçalo Soares (Nº 545) -- > Em 1984 deu-se inicio à saga Exterminador Implacável. Realizado por James Cameron e responsável pela subida em flecha da popularidade de Arnold Schwarzenegger. O filme deu início à saga que conta a história da guerra entre o Homem e as máquinas antes de esta sequer existir. O filme tem inicio no futuro (ainda muito longíncuo naquela altura) de 2029, introduzindo um futuro distópico onde a raça humana estava à beira da extinção, colocando logo aqui o mítico plano em que tanques esmagam os restos de caveiras humanas no meio de uma grande guerra futurística travada com armas a lazer no meio da penumbra, que seria tantas vezes re-usado e referanciado no futuro da nossa realidade. A história trata a demanda do soldado viajante temporal Kyle Reese (papel desempenhado por Michael Biehn) enquanto este luta para defender Sarah Connor (Linda Hamilton) do (segundo tradução portuguesa) Exterminador Implacável (Arnold Schwarzenegger). Porque é que este segundo percebe Sarah Connor? Simplesmente porque esta é a mulher que no futuro dará à luz John Connor, o líder da resistência humana no futuro de 2029. Até aqui tudo bem. O que acontece a seguir? Kyle Reese encontra Sarah Connor, defende-a do Exterminador durante algum tempo, sem o saber ele próprio engravida Sarah com uma criança que no futuro será John Connor, consegue matar o Exterminador e morre, deixando Sarah pronta para criar uma futura lenda.

Mas para além disto, que mais faz Kyle Reese? Sem querer ele vai criando um mito ao longo do filme inteiro, o mito do héroi John Connor, quem acreditamos que no futuro será o salvador da raça humana, no fundo um pequeno deus (já que tendo sido ele o responsável por enviar Kyle para o passado sabendo que este era seu pai, facto confirmado apenas nas sequelas, ele também é resonsável por criar a sua própria existência). Apesar de o espectador apenas ver John Connor uma vez durante este 1º filme no futuro, plano em que este apenas mostra a cara e não faz nada de mais, acreditamos que este é realmente um grande heroi e que a sua existência é realmente necessária para que toda a humanidade possa sobreviver.
É a criação de uma imagem grandiosa e quase omnipotente. Os dois filmes seguintes da saga (sem contar com a série de televisão) introduziriam um John Connor adolescente e "young adult", imagens referentes às histórias de origem e preparação deste tal líder da raça humana.

Exterminador 2

Exterminador 3

Vamos agora em "fast-forward" para o futuro, mais específicamente para a semana passada, quando Terminator Salvation estreou nas nossas salas. Inicio do filme. Onde estamos agora na linha temporal Exterminador"? Estamos finalmente na guerra contra as máquinas. As máquinas lançaram o seu ataque sobre os humanos no final do filme anterior e estamos agora no meio da grande guerra que vimos pela primeira vez no inicio do primeiro filme. E será que vamos finalmente ser arrebatados pela espetacularidade, brutalidade e terror que não nos foi mostrada, apenas relatada ao longo de todos estes anos?

Na verdade, não. Vítima do seu tempo, ao contrário da sua prequela de 1984 este filme não tráz nada de novo nem ao género nem à saga (de qualquer forma nada mais seria de esperar do realizador de Charlie's Angels). O filme resume-se ao típico filme de guerra sci-fi num futuro distópico que já vimos uma e outra vez nos últimos 20 anos, sendo uma grande explosão de CGI que também em si não é surpreendente, mas no entanto também não desilude (no entanto é uma surpresa agradável que se tenha recorrido a mais efeitos especiais feitos por animatrónica do que é habitual hoje em dia). Mas na verdade não é nada com grande impacto, apenas uma continuação de um franchise que devia ter acabado há algum tempo. É um filme que vive muito da nostalgia e como parasita do sucesso da saga até ao segundo filme, tal como o terceiro já fazia. Isto torna-se muito mais óbvio numa cena específica no filme em que uma cara muito familiar aparece sem estar lá.

A partir deste momento faço um aviso de "SPOILERS" para quem não tenha visto já o filme.

Numa certa cena do filme o John Connor interpretado por Christian Bale dá por si numa luta contra um Exterminador com a cara e corpo de Arnold Schwarzenneger, totalmente criados em computador. Obviamente um brinquedo para os fãs darem umas risadas, mas ao mesmo tempo um sinal muito óbvio de que o filme não consegue "viver" por si mesmo.

É um filme que deve ser tratado em parte como uma "fan-fic" (história não oficial criada por fãs de uma dada saga), ou seja, é inútil, porque no fundo todos nós já sabemos como a história vai acabar, já que o primeiro filme também nos contava já como tudo ia acabar.

Mas não é para isso que este post serve. Passando ao tema principal deste post, neste filme temos finalmente uma perspectiva mais específica sobre quem é de facto este John Connor salvador da humanidade e o facto é que este não é assim tão impressionante ou interessante. É um John Connor que já esperávamos que ele fosse, mas ainda mais impotente. Supostamente este era o protagonista do filme, mas na verdade o que ele faz como salvador não é nada de mais. Para além das ultimas cenas do filme, John Connor passa a maioria do tempo dentro da base da resistência sendo adorado por todos e tendo ataques de paranoia em relação às máquinas. Sendo assim todo o mistério e poder que esta personagem ganhára ao longo dos anos através de uma espécie de "silêncio" em relação ao concreto da personagem é perdido, especialmente se compararmos esta personagem com a nova adição aos papéis principais: Sam Worthington como Marcus, um humano transformado em cyborg sem saber bem como ou porquê, cujas motivações e acções ao longo do filme vão ficando muito mais interessantes para o espectador do que as de John Connor.
Podemos assim tirar algumas dicas de como criar a lenda em torno de um heroi e de como a destruir.