12/06/09

Tropfest NY 2008 (A)


Ana Sofia Alves (n.º 546) - Tropfest é um grande festival de curtas metragens (com o máximo de 7 minutos) que começou há 17 anos em Sidney e o ano passado teve a sua primeira edição em Nova Iorque. Esta foi a curta vencedora, filmada por telemóvel e com orçamento de 40 dólares.

Maneira inovadora de passar uma mensagem, mas qual terão sido os parâmetros de avaliação das curtas-metragens? Posso considerar que esta curta como vídeoarte. Isto é uma curta-metragem onde 80% são filmagens de palavras de anúncios e outros mais espalhados pela cidade. O que podemos considerar um bom filme? A sua inovação? Criatividade? Conteúdo? Estética? Técnica? O que é que leva a escolher qual a melhor curta perante todas as outras? O que fez com que ganhasse esta? A maioria dos espectadores perante esta curta disseram “fabuloso… muito boa e tenta abrir-nos os olhos”. Esta curta tocou-lhes. Podemos então dizer que quando consideramos esta melhor que as outras vamos pelo factor sensação. Quais as sensações e emoções que temos a ver um filme. Toda a vida vemos milhares e milhares de filmes, anúncios, músicas e etc… mas o que nos faz recordar e gostar são aqueles que nos transmitem uma sensação. “Filme bom, muito bem filmado, uma história boa, uma boa estética”, e a pergunta, “e o que sentiste ao vê-lo?”. Não será esta uma questão fundamental?

Esta curta-metragem apela-nos a sensações e emoções que nos tocam verdadeiramente, porque nos diz respeito. Aquilo é a realidade, e não uma história de uma personagem que tem um problema que nos identificamos, ou que nos emocionam. Esta curta mostra-nos o que não queremos ver da nossa realidade, e não trás nada de fictício. As pessoas estão lá no vídeo, e estarão no dia seguinte se passarmos pelo mesmo sitio que foi filmado. Não são pessoas que foram postas lá para serem filmadas. Foi este o parâmetro usado para considerar esta melhor curta que as outras? E agora pergunto, mas porque é que os documentários nunca estão numa escala igual aos filmes ficcionais? Porque documental mostra-nos o que é real, e o outro é encenado, mesmo que seja sobre um tema que aconteceu na realidade. Não podemos, esteticamente, e tecnicamente pôr no mesmo patamar. Ora mas esta curta tem carácter documental mas apenas não nos está a mostrar “olhem para estas pessoas. Coitadinha delas. Pensem sobre isso”. Ela passa-nos uma mensagem literal de uma forma que nos identifiquemos com o meio e depois mostra-nos aquilo que vemos mas fingimos que não vemos, todos os dias. Talvez isso que a torna especial. O carácter documental, numa experiencia inovadora, que nos transmite visualmente em palavras que vemos todos os dias espalhadas pelos nossos caminhos diários.