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Zidane, o filme, pretende afirmar-se (segundo a sua sinopse), entre um documentário desportivo e uma instalação de arte conceptual. Pretende ainda apresentar-se como sendo visto da perspectiva do jogador.
Relativamente à primeira permissa, é um facto que o filme está repleto de técnicas oriundas do cinema avant-garde como o constante desfoque da imagem, o uso de som não diegético, cortes abruptos quer no som quer na imagem e acima de tudo, a ausência de uma mensagem óbvia.
Ora, nada disto me faria confusão, sendo fã incondicional de cinema reflexivo, se esta utilização se desenrolasse com algum sentido.
As decisões de montagem, os timings de introdução das músicas, das legendas, e dos POV’s de Zidane, parecem-me completamente aleatórios e por vezes até ridículos (por exemplo a utilização de uma música completamente diferente da restante banda sonora, numa altura em que NADA acontece em termos narrativos).
Tendo em conta que a base da arte conceptual são as ideias e não necessariamente o resultado final, poderei afirmar que o filme cumpre, na íntegra, este pressuposto.
Em relação à segunda permissa, é um facto que as legendas se referem ao ponto de vista de Zidane e que este está no centro das atenções do início ao fim do filme. Porém, devido ao seu conhecimento das câmaras (as da televisão e as do filme), sinto-o pouco à vontade, representando o papel de Zidane e não sendo ele mesmo de forma natural.
Penso que esta acumulação de atenções e o facto de se sentir forçado a ser natural, provocam em sí uma tensão crescente, que resulta na agressão ao jogador da equipa adversária a meados da segunda parte. Ou seja, o ponto de vista é a meu ver falseado e por tal, não pode ser tomado como verídico.
A meu ver Zidane – Um retrato do século XXI, é muito mais uma versão fílmica dos desenhos animados “Tsubasa”, do que qualquer outra coisa a que se possa ter proposto.
Ana Crispim
nº436
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